NOTAS DE APRENDIZ

Notas de Aprendiz nasceu como coluna de jornal no interior de Minas. Agora é só blog. São notas. Eu, aprendiz.

Quinta-feira, Abril 16, 2009

Depois de 3 meses

Post que era email e agora virou post, beeem atrasado.

Aterrisei. Foram exatos 3 meses até que eu me sentisse realmente em casa. Quem conviveu comigo de dezembro até aqui tolerou uma Ana Cristina esquisita, aérea, suspirante e melancólica. Eu estava distante e não conseguia deixar que meu 2008 fosse embora. Não me culpo. Talvez tenha sido o ano mais intenso de minha vida e trouxe consigo uma enxurrada de pessoas maravilhosas de quem tenho infinita saudade. No início eu não gostava do Chile, depois me apaixonei. Foram 3 meses para me acostumar lá. E 3 meses para me reacostumar aqui.
Os tais 3 meses venceram no último fim de semana. Eu estava em São Paulo. Fui ver os shows de Los Hermanos, Kraftwerk e Radiohead, presente de aniversário que veio adiantado alguns meses. Coisas do Kico.
Na ida, fomos escutando Kraftwerk e depois "Radio Kico internacional", um cd com 8 horas de música internacional sem repetir banda. A função random embaralhou tudo e nos solapou os ouvidos com Nick Cave seguido de Jacksons Five, Smashing Pumpkins com Depeche Mode, Bjork com Soda Stereo, David Bowie, Soundgarden, Blonde, The Supremes e o que mais a sua mente fértil conseguir lembrar que existe ou existiu. Uma festa.
Já no hotel onde o casal Kico/Dani se hospedaria, saímos para comer uma comida mexicana horrorosa, depois fui raptada por Kelly, que me levou a um restaurante Chileno e depois um barzinho muito do legal, lá na Lapa. Qualquer minuto meu com Kelly é de engasgar de tanto rir - o lado retardado do nosso humor combina muito bem, obrigada. Domingo de manhã tomamos um táxi desaforado pro Mercado Central pra tomar café da manhã, depois fomos passear pela feira da Liberdade.
À tarde Kelly me devolveu ao hotel e seguimos pro show, Kico, Dani, Papagaio e eu. Ótimas companhias. Kico e Papagaio são dois alucinados por música e conversavam animados enquanto eu tentava reconhecer metade dos nomes de bandas, músicos e músicas que eles citavam.
O show dos Hermanos foi bem morno, embora o repertório tenha sido bom. Gritinhos histéricos de fãs descontrolados não condiziam com o que estava no palco: um Marcelo Camelo e um Amarante tentando forçar um entrosamento que não aconteceu de verdade - só quase. Mas foi bom estar ali no "show da volta" - será?
Kraftwerk era quem eu realmente queria ver, afinal, é a banda que inventou a música pop eletrônica. O show foi legal, mas sem surpresas. Houve alguns probleminhas técnicos e quase nenhuma empolgação do público. Mas valeu a pena ser testemunha ocular desses caras a quem todos os DJs e bandas eletrônicas do mundo devem até as cuecas. A música Numbers, um funkão de 1981, balançou a galera. Olhe só que coisa mais a frente de seu tempo:
http://www.youtube.com/watch?v=6TlvNpIwTto&feature=related
O show do Radiohead não dá nem pra começar a explicar. Fez arrepiar até a planta dos pés - embora estivessem meio anestesiadas depois de muitas horas em pé. A performance impecável, a estética inebriante e a qualidade absurda do som deles explicaram porque eles são uma das bandas mais influentes dos últimos 20 anos. Tom Yorke, o homem da pestana caída, virou uma minhoca no palco, principalmente na faixa Idioteque - que sonzeira!
Quando tocaram o classiquíssimo "Paranoid Android", o público foi ao delírio. Um momento para ficar eternizado. Valeu cada segundo, cada acorde. Finalmente vieram ao Brasil! E eu estava lá. Obrigada, Kico e Dani. Obrigada, Kelly.
Alexal, uma pena não termos nos visto.
Alessandra, foi por isto que eu não fiquei em BH pra te ver. Tentei te ligar mas não consegui falar. :o(

Este é o email oficial da volta. Finalmente entrei em 2009. Voltei ao Brasil, antes de corpo, agora de alma.
Impávido Colosso, pátria amada, Brasil. Tava com saudade de escrever. :o)

Fotos: http://picasaweb.google.com.br/anagontijo/2009SaoPaulo#5317533086557938130

Domingo, Outubro 12, 2008

Vezinquando vejo fotos antigas só para ver se mudei muito. Escuto músicas que costumava escutar só para ver se meu gosto mudou. Pois hoje resolvi alguns textos que escrevi há alguns anos, no início do blog. Dos poucos que li, este aqui em especial continua traduzindo muito do que penso.
Soli Deo Gloria.

Sábado, Outubro 11, 2008

GUILLERMO: - Hola, Ana, ¿cómo amaneciste?
ANA: - Más o menos.
GUILERMO: Ya, pero seas sincera, ¡po! ¿Estás bien o estás mal?
ANA: Mal. Pero, no tan mal como ayer.
GUILLERMO: O sea, estás más o menos, entonces.

Quarta-feira, Outubro 08, 2008


- Isso significa que todas as estradas levam a você?

De jeito nenhum - sorriu Jesus enquanto estendia a mão para a porta da oficina - A maioria das estradas não leva a lugar nenhum. O que isso significa é que eu viajarei por qualquer estrada para encontrar vocês.

William P. Young em "A Cabana" - Sextante - p. 168-169.

Sábado, Agosto 30, 2008


Mais uma foto da vista da minha varanda... Eu nao me canso de tirar fotos da Cordilheira. Tarde do dia 29/08/08

Sexta-feira, Agosto 01, 2008

Minha amississíssima Sônia Lara e meu primo Pingüim: os primeiros a me visitarem.
foto: Donde Augusto - Mercado Central

Sônia y yo - Pátio Bellavista
Já estou com saudade, mulher!

Pollito, Willy y Anita

Ricardo Carrasco y Ana

Apartamento

Guillermo y yo - mas todo mundo sabe que o nome dele é Willy

Loreto, semi-habitante do cafofo


Alejandra, namorada de Jaime - extremamente buena onda


Loreto, AnaCris, Alejandra

AnaCris fazendo pose baranguinha para foto feliz

(mas se eu nao tivesse gostado, nao teria colocado a foto aqui, jajaja)

Habitantes do apartamento: Jaime, AnaCris, Guillermo






Vista da minha janela

A cordilheira nevada, com sua beleza mal educada, congela-me os olhos a cada manhã,
enquanto mastigo minhas torradas.
Eu, diante de tanta grandeza, do meu silêncio grito,
como o menininho de uma estória de Eduardo Galeano:
Por favor, papai, me ajude a olhar!

Quinta-feira, Junho 12, 2008

Depois de ter passado uma semana difícil, com direito a entrada no hospital por causa de uma enxaqueca monstro que refletiu no estômago e me desidratou até a boca ficar roxa e os olhos fundos, nessa última semana eu me recuperei bem e foi tudo bem legal.

Hoje tem festa surpresa para o meu tio e padrinho Adolfo Mendes, e é também aniversário de quatro anos do meu sobrinho Joel (a festa dele será na semana que vem, junto com o irmãozinho Davi, que completará dois anos no dia 28).Mas meu programa será outro. Saio pra jantar com Kristin e Julio, e depois se juntará a nós um chileno bem gatinho que conheci na semana passada. Vamos todos ao cinema. Depois terei que decidir entre o aniversário da professora Lisa em um bar dançante de Salsa, e uma festinha dos meninos aqui no apartamento. Como o bar de Salsa cobra 30 reais só pra entrar e eu só receberei meu salário na segunda-feira, acho que minha escolha não será difícil.

Alguns cursos intensivos terminaram ontem e eu tive a oportunidade de escrever meus primeiros textos em Espanhol, os relatórios e sugestões de estudos para os alunos. Uma turma cercou um dos diretores na saída da escola e lhe pediram que me mantivesse com eles no próximo módulo. E o representante de uma turma de professores da Universidade do Chile escreveu um email à diretora Helen também pedindo para continuarem comigo. E ela encaminhou o texto a mim. Sei que que receber elogio e contar pros outros não é algo bonito, mas, como estou escrevendo a amigos, imaginei que se alegrariam comigo. É realmente muito importante para mim receber bons resultados desse meu grande investimento:

" (...) Respecto a nuestra profesora Ana Cristina, en mi opinión su desempeño ha sidodestacado. Tiene iniciativa, su clase es entretenida, buen conocimiento delidioma Ingles, todo esto sumado a su constante preocupación por nuestroprogreso. Es nuestro deseo continuar con esta profesora por el resto del modulosi usted lo estima conveniente.
Atentamente
Prof. Dr. Pedro Aguirre A
Facultad de Ciencias Quimicas y Farmaceuticas
Universidad de Chile"

Quinta-feira, Maio 22, 2008

Texto que na verdade era um email

Depois de passar duas semanas com preguica de escrever - mas tambem a falta de novidades foi causa de minha ausencia - agora estou aqui na escola sem poder sair, porque o ceu resolveu desabar e eu esqueci minha sombrinha em casa, minha linda sombrinha vermelha.
Nao gosto de escrever aqui porque o computador deles nao tem acento agudo nem circunflexo nem cedilha. E o til, a que Kristin se refere como "that funny guy", deve estar em algum lugar nesse teclado andino, mas ainda nao fui capaz de encontra-lo.
Maisintao. Vidinha aqui continua na mesma, com a diferenca da chuva. Aqui so chove mesmo no outono e no inverno. Isso quer dizer que as ruas agora, alem de frias, tem cheiro de cachorro molhado, porque a populacao deles eh muita, e poucos os donos para eles. Aliazmente - como disse no meu blog - se nao existisse Valparaiso, Santiago seria a capital dos cachorros de rua. Outro dia eu estava indo para casa e vi um montinho colorido em um ponto de onibus. Olhei bem, era um bolinho de caes tentando espantar o frio, calminhos, quietinhos; deviam estar rezando, uma especie de danca da chuva as avessas.
Mas tem algo que me agrada muito nesse tempo de frio e chuva: o ar fica mais limpo e entao se ve a Cordilheira em toda sua graca. Da minha janela, no decimo terceiro andar, tenho 180 graus de vista de cordilheira, e esses dias ela tem amanhecido toda nevada. E, mesmo com ceu nublado, a luz do dia faz com que a neve fique cintilante... Uma coisa indescritivel!
Ontem foi feriado nacional, comemorando a vitoria do Chile na Guerra do Pacifico - em mil oitocentos e refrigerante sem gas - quando tiraram da Bolivia sua unica chance de ter saida pro mar.
Mas hoje nao eh feriado, aqui ninguem falou em Corpus Christi. E assim, enquanto trabalho, fico imaginando minha familia na fazenda ate domingo, meus sobrinhos crescendo sem que eu veja, minha irma ficando barriguda outra vez, e a vida vai passando, saudade apertando, mas eh assim mesmo, e no final das contas continuo bem.
O Chile eh lindo, as pessoas sao alegres e o estilo de vida aqui eh muito parecido com o nosso.

Minha colega de trabalho esta aqui me oferecendo carona no guarda-chuvas dela. Estou indo entao. Sem revisar o texto, pelo que me hao de perdoar os erros de pur-tu-gues.
Um beijo e bom feriado.
CRIS

Quinta-feira, Maio 15, 2008

O verso que me tem sustentado há pelo menos 6 anos:

"Eu é que sei que pensamentos que tenho sobre vós, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança". Jeremias 29:11

E ainda:

"Não temas, porque eu estou contigo. Não me olhes com desconfiança, porque sou teu Deus. Eu te dou forças, eu sou teu auxílio e te sustentarei com minha destra fiel". Isaías 41:10

Se não existisse Valparaíso, Santiago seria a capital dos cachorros de rua. Vivo em um conjunto habitacional que fica em um arvoredo com pracinhas, caminhozinhos e playgrounds. Tão simpático quanto antigo. Aqui vivem muitos estudantes e muitos aposentados. Tudo meio decadente, mas é o coração de Providência, então estou muito feliz. E, como em todo canto da cidade, aqui vivem muitos cães.
Tem um que odeia pessoas aleatoriamente, e às vezes odeia alguém de manhã mas não à tarde. Mas então eu descobri que ele não gosta mesmo é de sacolas de plástico. De forma que, se você passa por ele com sacolas de plástico, existe grande chance de que ele avance em você. Não chega a morder, apenas encaixa a boca na sua canela, o que já é suficientemente assustador.
Mas não o culpo: imagino a raiva que ele sente quando neguinho passa com suas sacolas cheias de guloseimas, e fome pra cão de rua! Imagino a raiva que ele sente ao cheirar o sanduíche suculento dentro de uma sacola de plástico, e fome pra cão de rua!
Não defendo nem ataco. Apenas sei que, se não existisse Valparaíso, Santiago seria a capital dos cachorros de rua.

ps: nas duas últimas semanas o frio se comportou e já não estou com tanto medo do inverno. Ainda não.

Domingo, Abril 27, 2008

O inverno chegou há uma semana, Santiago se pôs cinzenta e as pessoas sorriem menos. Casacos cheirando a guardado, mesinhas na calçada já bem mais vazias, portas e janelas cerradas.
Os santiaguinos dizem que a temperatura está ótima, mas eu, friorenta que só, já não sei se haverá edredons suficientes no mundo para o meu frio daqui a dois meses.
Inverno na Europa é uma coisa: na rua faz frio, mas todos os estabelecimentos e casas possuem sistema de aquecimento. Aqui não. Na maioria das casas, se está frio, então está frio.
A Cordilheira já começa a ficar coberta de neve no topo, nos seus tantos milhares de altura. Cá embaixo, na cidade, tem dia que a neblina não deixa ver o outro lado da rua. Mas não reclamo, acho bonito.
Melancolia veio no pacote e hoje senti muita saudade de casa. Saudade de ouvir Português, porque aqui não conheço brasileiros. E, de tanto querer ouvir Portguês, hoje assisti vários capítulos da novela no site da Globo com a senha da minha prima (Nanda, espero que não se importe).

Ontem fui a uma festa em uma cobertura maravilhosa, vigésimo sexto andar, com vista para os quatro lados. Muita música latina (principalmente el reggaeton) e gente de tudo que é lado: Bolívia, Chile, Argentina, República Dominicana, Nicarágua, além de mim e da Kristin. Fiquei triste quando a nicaragüense me disse que não existe mais resquício de sotaque mexicano no meu Espanhol, que era o que mais me deixava feliz na minha primeira semana aqui. Quatro pessoas me disseram que eu já estou com um sotaque bem chileno, o que não sei se é bom ou ruim. Mas eu já desconfiava que isso fosse acontecer. Eu vou ao Rio, volto com entonação meio de carioquês. Passo um dia conversando com alguém de São Paulo e lá estou eu, sem perceber, pegando expressões e entonações. Eu conto casos imitando as vozes, eu adoro perceber diferentes sotaques e me encanto pela diversidade. E, sem ver, acabo imitando o jeito como as pessoas falam.
O único problema é que o sotaque chileno não é bonito, pelo menos eu não acho.
Mas não tem jeito. É aqui que estou me tornando fluente e é o sotaque daqui que me marcará para sempre.
Como marcante tem sido este ano para mim, embora o preço às vezes me pareça um pouco alto demais.
E por falar em saudade, onde anda você?

Sexta-feira, Abril 25, 2008

"Eu é que sei que pensamentos que tenho sobre vós, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança" Jeremias 29:11

e ainda:

"A vida do homem reto é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito"...

Ai, mas falta tanto!

Sexta-feira, Abril 18, 2008

O paletó e seu velhinho (meu mini conto santiaguino)

No caminho do metrô à escola, quase sempre passa por mim um velhinho e seu paletó quase cinza e quase marrom, e com furinhos. Se não passasse o velhinho, passaria o paletó, que já virou andarilho por conta própria. Calça jeans amarrada com cipó e muitas moedinhas que ele tira do bolso da camisa de trinta em trinta segundos, segura-as na mão em formato de concha, balança duas vezes para ver quanto pesam, depois volta a guardá-las. No primeiro dia eu pensei que ele fosse mesmo o velhinho da capa do album Aqualung, do Jethro Tull. Depois achei que se parecia com o Baratinha da minha infância.
Mas um dia ele me apareceu diferente: passou por mim, deu um pulo na minha frente e começou a berrar palavras num Espanhol sem dentes. Parecia estar com muita raiva de mim, pelo que me assustei e devo ter ficado branca da boca roxa. Quando viu meu pulo pra trás, ele achou divertido e, todo sorriguela, me chamou de "guapa" duas vezes, aí ficou sério de novo, tirou as moedinhas do bolso e seguiu seu caminho. Depois disso nunca mais sorriu pra mim, nem ao menos me reconheceu.

PS: a César o que é de César: quando meu irmão nasceu, Quequel tinha 5 anos. Diante daquele nenem risonho, ela falava sempre que ele era muito sorriguela. E assim inventou a palavra que eu mais queria ter inventado. Uma espécie de Guimarães Rosa mirim na família, essa minha irmã muito preciosa.

Quarta-feira, Abril 09, 2008

Eu não posso ser normal. Uma pessoa que se delicia lendo uma gramática de Espanhol não pode ser normal. Ainda mais num sábado a noitinha, enquanto espera para sair com amigos e escuta versoes remix de Nina Simone, Willy Lobo, Billie Holiday e tals, uma seleção de extremo bom gosto lançada pela gravadora Verve; e Gotan Project.

A vida social aqui tem sido intensa, bem mais do que estou acostumada. Galera quer sair todo dia, acende um cigarro no outro e entorna litros e litros de piscola - um troço forte e meio doce, pisco com coca-cola. Eu tomo suco e água.
Quanto mais bebem, mais embolado conversam, eles que falam o Espanhol como nós mineiros falamos o Português: cortando os finais das palavras.

Ontem tive certeza de que eu moro muito bem. Num raio de duas quadras da minha casa a cidade ferve. Muitos cafés, restaurantes, bares dançantes, clubes noturnos. E as pessoas saem a pé, chega a ter engarrafamento de pedestres na calçada à meia noite de sexta-feira.
Ontem eu e Kristin nos demos de presente um jantar fino num restaurante delicioso, em uma mesa com vela, na calçada. Risotto de frutos do mar acompanhado de cabernet sauvignon servido em taças robustas. Um deleite só.

Mais tarde saí com o pessoal do apartamento. Fomos a um bar dançante onde quase todo mundo era quase bonito ou quase feio. Nunca inteiramente uma coisa ou outra, apenas quase.
Hoje eu fui convidada para um churrasco de bolivianos em um parque, onde Kristin ia se encontrar com seu novo paquera. Mas eu não fui. Preferi almoçar com Jaime - um dos meninos do apartamento - num restaurantezinho bem simpático aqui por perto, pra depois voltar pra casa, escutar musica, me pendurar na internet, estudar Espanhol, lavar roupa, cabelo e louça, escrever emails, tudo com tempo, tudo bem light.

O verão já deveria ter dito adeus, mas acho que decidiu passar o outono aqui com a gente. Amanhece e anoitece friozinho, mas durante o dia o calor é bem forte.

No metrô para o trabalho, já sei exatamente em qual vagão devo estar para não ser sufocada, e para depois pegar a combinação com a outra linha sem ter que esperar. Isso tem poupado bons minutos do meu dia e me sinto menos cansada.
Ainda sobre o metrô: quando eu tinha 1 ano peguei cecê da minha babá. Aos 10, de uma colega de balé que usou meu colant. Aos 20, de uma colega de intercâmbio que usou minha roupa e eu não lavei antes de usar. Uma coisa que me a vida me trouxe a cada nova década, mas agora me recuso a aceitar. Agora cheguei aos 30 e não tenho cecê, e não quero ter cecê, e procuro manter minhas axilas bem travadas enquanto trabalhadores mal cheirosos erguem seus braços entre um vagão e outro. Por enquanto, tudo bem.

As aulas estão ótimas e os alunos das empresas são dedicados e curiosos. Na escola, os professores são tão divertidos quanto festeiros, num ritmo que não é meu. Gosto de sair, mas gosto também de ter um tempo para mim, para minha música, meu quarto, meus livros, minha bíblia, e pra ficar pensando com meus botões. Sem isso praticamente inexisto.
Da minha janela continuo deslumbrada com a vista, mas a poluição às vezes me priva de ver a cordilheira, como hoje, por exemplo. Dizem que no inverno chove bastante, então fica tudo limpo.

Comecei a fazer caminhada e já arrisquei umas corridas de um poste ao outro no final. Mas sei que tenho que ir devagar. Emagreci um pouco já desde que cheguei aqui, porque ninguem precisa pesar 68kg quando se mede 1,69m. Não mesmo.

Acho que é só. Depois conto mais.

Terça-feira, Abril 01, 2008

QUANDO A CIDADE AMANHECEU EM MIM

Santiago amanheceu em mim. Estou feliz que isto tenha acontecido agora, porque seria muito dificil passar a amar a cidade no final de dezembro.
Eu sabia: a cidade nao é ruim; eu é que morava mal.
No feriado da Semana Santa fui com duas professoras daqui a Valparaíso. A viagem foi ótima e divertida. Eu nao sabia exatamente o que esperar, entao foram varias as surpresas que tive na cidade linda e feia e suja e colorida e charmosa e caótica e cheia de morros, gentes, peixes, frutos do mar, gringos, odores, calores, sorvetes, lindas vistas, e o porto, um estranho passeio de barco, e muitos morros num sobre e desce sem fim, elevadores na diagonal, e por fim bares e mais bares, a boemia de que tanto nos falou Pablo Neruda.
Por falar nele, visitei La Sebastiana, sua casa em Valparaiso, uma tetéia.
De volta a Santiago, peguei minhas tralhas na casa de Elsa e me mudei de lá. Na saída, Gato rosnou pra mim (tenho quase certeza). O hamster que tanto atrapalhou minhas noites de sono em sua roda para ratos, esse nao me viu sair. E, enquanto eu lavava meu ultimo copo na pia, me apareceu um morador de um dos quartos da frente. Entao era verdade.
Saí sem deixar saudades, passei a semana feliz em meu novo velho apartamento, com pessoas extremamente simpáticas e alegres, que me receberam com ovinhos de páscoa e aulas de Espanol gratuitas. Mas só me ensinam o que nao presta.
Willy (na verdade Guillermo) está no ultimo ano de Arquitetuta. Sua colega de sala, Loreto, é uma linda chilena que também vive conosco. E tem o Jaime, que trabalha com producao de video em um canal de Tv local. Somos todos mais ou menos da mesma idade.
O carpete é velho e meu colchao é tao macio que está entortando minha coluna, mas eu estou feliz. Minha vista é um cartao postal enorme e ao vivo, e eu nao paro de contemplar o fato de estar morando ali no centro do bairro Providencia. Da minha janela (13o andar) eu vejo grande parte da cidade e, ao fundo, a cordilheira. Ô dó de mim...
Na escola continua tudo bem. Novos professores continuam chegando e eu continuo sendo a unica professora de Ingles nao-nativa, o que me lisonjeia ao mesmo tempo em que me deixa preocupada e com medo de nao dar conta do recado. Bobeira minha, talvez. Ou talvez nao.

Final de semana será light, todo mundo quebrado porque só receberemos nossos salarios no dia 05.

E, de mais a mais, estou feliz por estar aqui. Cada vez mais.

Quarta-feira, Março 19, 2008

Santiago e eu

Escrito em 13/03/2008
Hoje esta melhor que ontem.
E olha que ontem a noite estava bem melhor que durante o dia. Uma chilena me levou ao shopping pra comprar um celular. Me custou 55 reais, mas veio com 40 reais de credito. O minuto pre-pago aqui eh tao caro quanto o Brasil, o que significa que so usarei o cel em ultimo caso. Como nao tenho telefone fixo, nem posso assinar contrato algum antes que meu processo de visto esteja pronto, soh poderei usar mesmo celular. E em ultimo caso.

Depois de comprarmos o telefone, nos sentamos em um charmosissimo restaurante em uma pracinha que eh parte do shopping Parque Arauco (o melhor de Santiago) mas fica ao ar livre, em meio a muito verde e mesas com sombrinhas. E tinha um moco charmosissimo que estava na mesa ao lado, mas que nem me deu bola. As fritas de la soh nao eram melhores que as americanas do Danny's e do Bennighan's. A coca light era igual a nossa. A caipirinha que as meninas tomaram nao era igual a nossa.

Na casa onde estou nao tenho internet, entao tenho que usar na escola. Mas nao tenho tido muito tempo, porque hay mucho que aprender y mucho que hacer.
O dia hoje nao estava tao insuportavelmente quente. Soh quase.
E eu ja estou aprendendo as manhas de usar o metro (existem varias!). A tal TranSantiago eh odiada por todos em um nivel tal que faz a BH Trans ser a mais amada de todas.
Mas, que funciona, funciona. Tudo cheio demais, abafado demais, mas funciona.
E, quanto a casa em que estou ficando, eh mesmo provisoria. Elsa, a dona da casa, fica o dia inteiro chafurdando na lama usando a internet no quarto dela, onde tambem vive um gato que se chama Gato e me vigia toda vez que entro pro banho, so parando de miar quando saio. Elsa nao faz nada na vida a nao ser alugar quartos para pessoas que nunca vi entrar ou sair, e que chego a duvidar se realmente existem. Acho que ela tem medo de que eu queira me mudar para um dos quartos da frente, por isto inventa que tem gente morando la. Ou entao pode ser que eles realmente existam, mas nem vou chegar a saber, porque semana que vem ja vou sair de la. Ficarei sem minha vista para o quartinho de despejos, mas que fazer se ha de?

Meu destino ainda nao sei, mas estou procurando algo mais no centro de Providencia, uma especia de Savassi melhorada daqui. Melhorada em termos, porque a comida sabe ser ruim! Mi-se-ri-cor-dia! Acho que em algum momento na historia deve ter tido algum saque na cidade, e, alem de roubarem as comidas, roubaram tambem todos os cadernos de receitas de abuelas rechochudas que cozinhavam delicias a sus hijos y nietos, e nunca se los han encontrado. E olha que um dia me disseram que Londres eh o tumulo da culinaria...
Mas, aqui e ali, vou sobrevivendo. Ontem fiz meu supermercado e comprei folhas, muitas folhas. Nao, eu ainda nao desisti de me tornar uma comedora voraz de saladas, daquelas pessoas que mastigam uma folha de rucula como se estivessem comendo um manjar diretamente enviado da futura Jerusalem de Ouro.

Minha mais nova amiga eh Kristin, americana de Montana, mas brasileira de coracao (talvez porque viveu em SP, no Morumbi, em uma casa com piscina, com personal trainer, bons restaurantes, amigos abastados, roupa de marca e vida de gente rica de de novela). Eh um docinho, companhia divertida e inteligente para uma Santiago poluida e abafada (mas que promete muitas surpresas quando o inverno chegar).
Estou comecando a ficar feliz... Eu acho.
Sei que tudo sera muito bom para que eu, uma menina que nunca deixou de ser mimada, finalmente possa tornar-se adulta. Ja nao era sem tempo.

Recados:

Algumas pessoas disseram que me escreveram, mas eu nao recebi os emails. Este meu yahoo estah ficando com as mensagens pra ele, sem me repassar, uma especie de Antonio Biah do filme Narradores de Jave. Entao, estou pensando em comecar a enviar este diario de viagem usando meu hotmail, que tem sido mais confiavel: http://us.f343.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=anagontijobh@hotmail.com

Fernanda, minha prima e amiga, vem cuidar de mim??? rsrs
Cristina, voce arrasou no bazar de verao. Nao paro de receber elogios as roupas.
Aniel, ninguem me esperou no aeroporto, if you know what I mean.
Alessandra, tentei te ligar em casa antes de vir embora, mas caiu na caixa postal. vc tem bina? Liguei duas vezes.
Kico, Dani, Gustavo, Joel, Sonia, Pinguim, Cristina, Luiz Carlos, Kelly, Deinha, Marcelo, Damares, Toninho, Noara, Pazinha, quando vëm mesmo? Estou contando os dias na parede com pauzinhos marcados a lapis.
Amigos queridos, estou com muita saudade! E estou cada dia mais certa de que Pindorama eh meu lugar. Volto em Dezembro. Mas, quer saber, vou dar o braco a torcer. Hoje ja estou gostando beeem mais daqui.

Saudade...

Da cordilheira dos Andes, um beijo.

--------------------

ESCRITO EM 07/03/2008
Então eu consegui empacotar minha vida em 30 quilos. Uma mala grande e mais uma de mão em que levo os livros que ganharam a briga para saber quem ia, quem ficava. Meu dicionário decente de Espanhol fica. O de bolso vai. Gramáticas ficam, a não ser uma que comprei na Inglaterra, específica para professores de Ingles, maravilhosa. Vai também um livro que ganhei de Natal da minha prima e xará, e que eu já deveria ter terminado de ler há muito tempo, mas ainda estou na metade. Levo poucos sapatos, logo eu que adoro cores, muitas cores de sapatos. Jeans, só quatro. O resto fica pra quando eu voltar. Muitas jaquetas, jaquetinhas, blusas de inverno, dois casacos leves e um pesado. Há quem diga que é exagero, mas, lembre-se, além de semi-loira, sou também semi-perua.Consegui reduzir minha bagagem pela metade, o que já teria valido a pena a passagem pelo Brazil.Vi muitas pessoas queridas, renovei forças.Viajo, porém, sem coisas básicas, como uma câmera fotográfica, porque eu tinha duas, mas passei o carro em cima de uma e a outra me foi roubada em um vôo de Sao Paulo pra BH. Isso foi há 4 anos e até hoje não comprei outra.Não estou levando presentes para quem eu vier a conhecer, não estou levando pesos chilenos para a chegada. Apenas um cartão para saques, um passaporte que tem os dias contados (mas ainda dura uns 10 meses), e um Espanhol pra lá de enferrujado, herança dos meus dias de garçonete em um restaurante mejicano en la Florida, y de haber vivido en un bario mejicano en la Florida.Muitas recomendações de lugares para ir, de vinhos para beber, e um sentimento estranho, mas não sei o que é, então nem vou começar a explicar. Misturado, tem felicidade, disso sei.Tem saudade também. Tem medo, ansiedade, esperança e mais um monte de coisa.Não, eu não quero arrumar um chileno para me casar. Não estou indo lá para isso, e, embora alguém já tenha escrito um bilhete anônimo, interessante e bem humorado, dizendo que ando em um safari a procura de um marido perfeito, não acho que seja verdade.Tenho vontade de encontrar alguém, sim, mas... Bom, isso também não é assunto para um email de despedida.Semana que vem escrevo mais.E acho que deveria levar também uma peruca, porque estou achando minha cabeleira meio muito clara demais. Paga língua, desinfeliz!Saio hoje, sábado, ao final da tarde. Um bom ano para mim. Um bom ano para você.

Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008

DE PASSAGEM POR VERA CRUZ

Estar de volta ao Brasil já com data de ir embora é estranho.
Por isso, estou considerando minha estada aqui como um bônus: possibilidade de refazer malas, rever família e amigos, deixar livros, pegar livros, estar com minha mãe no aniversário dela, sair com meu irmão no aniversário dele. Eu cheguei na sexta passada, mas os presentes que tinha enviado para eles pelo correio só chegaram hoje.

Tenho lido sobre Santiago, e muitas pessoas me falaram coisas boas sobre a capital que se espalha aos pés da cordilheira. Estou animada, embora ansiosa e um pouco com medo.
Penso que deve ser normal.
A semana passou rápido demais e não consegui fazer metade das coisas que me prometi durante o vôo de Londres pra cá.
Minha prima Fernanda telefonou durante a semana e, confesso, já chorei de saudade. De qualquer forma, terei que voltar a Londres para buscar o travesseiro que esqueci lá, e então aproveito para ver o que não vi.
Belo Horizonte continua interessante, tumultuada, e estou certa de que amo esta cidade.
Hoje vou para Itaúna, para passar uma semana. Tentarei lutar contra o ócio e a preguiça pra conseguir fazer o que quero fazer, ver quem quero ver. Se não conseguir, paciência. Teria sido mesmo só um bônus.

Embarco sábado à noitinha, rumo al Chile, de Lan Chile.
Volto pro Natal.

Escrito dia 22/02/08

SEM TOMAR CAFÉ COM A RAINHA

Foi assim, ó.
Terça-feira eu estava péssima. Não consegui sair de casa, fiquei andando de um lado para o outro. A marvada da TPM. Chorei, orei, andei em círculos. Uma mulher desempregada, comendo em libras, almoçando meu antigo carrinho, e de TPM. O medo finalmente bateu com força. Terça-feira eu era uma mulher desempregada e ansiosa.
Quarta-feira eu tinha três empregos. Eu tinha enviado meu curriculo para 3 escolas da rede International House (IH), que a minha escola em Londres: Hanoi, Dubai, Santiago. Tinha recebido resposta das 3, estava negociando com eles, mas a coisa tava totalmente empacada, enquanto outras redes de escolas e agencias de emprego insistiam em me barrar por causa da minha nacionalidade. Mas a IH, para minha felicidade, tem uma visão bem atualizada do que seja o ensino da Lingua Inglesa. Eles acreditam que o Ingles nao tem donos, é uma Língua Franca. E, assim sendo, eles também acham incongruente a idéia de que nativos da Língua estejam mais aptos a ensiná-la. Para eles, importa mais a formação, os treinamentos e os anos de experiencia em sala de aula.
De ansiosa, passei a desorientada. Não sabia para onde correr, qual dos 3 escolher.
Minha passagem de volta para o Brasil estava marcada para odia 21 de fevereiro, desde o dia em que comprei. Recebi as 3 prospostas no dia 20, sendo que Dubai ainda ficou de ligar na manha do dia 21 para confirmar valores.
Se resolvesse aceitar Dubai ou Hanoi, ficaria em Londres e perderia a passagem de volta para o Brasil, porque já não daria tempo para remarcar. Se resolvesse aceitar a proposta do Chile, teria pouquíssimas horas para arrumar malas e pegar um táxi para o aeroporto.
Acordei hoje sobrevoando terras brasileiras. Já estou pisando chão mineiro, e começo a trabalhar dia 10 de março, no Chile.
Hanoi era uma ideia linda, mexeu comigo, mas achei meio punk ir pra lá sem conhecer ninguem. Como diria meu amigo Aniel Dutra, uma coisa assim "bicho-grilo magical mystery tour". Dubai ofereceu um salario bem melhor, mas eu gastaria quase mil dolares só em aluguel de um quarto para mim. Teria que comprar um carro logo de cara, ou pegar taxi, já que transporte coletivo lá inexiste. No final, eu estaria ganhando quase que o mesmo tanto do Chile. Procurei saber do custo de vida e tal.
O legal é que a maioria das aulas sao dadas em empresas, o que será uma ótima experiencia. Se eu nao conseguir juntar tanto dinheiro quanto gostaria, não tem problema. Vou voltar falando Espanhol fluentemente, e ainda estarei pertinho da minha terra.
Pausa para o café.

Terça-feira, Fevereiro 12, 2008

MEU DEPROMA BRASILEIRO NO REINO UNIDO

Ter um diploma de uma universidade do Brazil , e nao de algum dos paises de lingua Inglesa, e’ minha mais nova pedra no sapato. Ter um passaporte brasileiro tem-se somado a isso, como um lembrete eterno de que fomos colonizados por Portugal e seus purtuguesex, a quem de qualquer forma tenho que ser grata pela lingua que tomamos emprestada, linda, linda, linda.

Ja estive acostumada a estar fora do Brasil e ser invadida pela sensacao de que tem nada nao, que e’ apenas uma pausa para o café, que eu me banqueteio mesmo e’ na terra de Vera Cruz. Mas a vida em Londres tem me surpreendido. Ou talvez sejam meus trinta anos que me trouxeram um olhar diferente. Seja por um ou outro motivo, a verdade e’ estou encantada pela cidade e seus dias ensolarados de inverno. Tenho aproveitado cada minuto aqui. Antes de ontem fui caminhando ate o Big Ben. Sai de casa sem pressa, atravessei a ponte sobre o Tamisa, caminhei pela orla do rio, e senti meu coracao bater depressa, feliz, saltitante. Eu estou realmente muito feliz.

Isto nao diminui minha paixao e saudade por minha terra natal, e acho ate (oh mania de pensar que faco falta) que as montanhas de Minas as vezes conversam sobre mim, e que a MG 050 mais a BR262 andam a procura do meu celtinha preto nas noites de sexta-feira, nas tardes de domingo.

Pois eu estou a procura de emprego. Terminei meu curso, passei com distincao. Mas nao posso ficar aqui no quintal da rainha, porque o cunsulado nao daria visto de trabalho para uma brasileira cismando de dar aulas de Ingles para estrangeiros, logo aqui. Para consguir visto de trabalho, a empresa e a pessoa tem que provar que nao existe outra pessoa no pais que seja qualificada para fazer o tal trabalho. Prossigamos entao.

Isto aqui e’ uma torre de babel em que se escutam pelo menos 247 linguas diferentes no centro da cidade. E’ mesmo dificil encontrar alguem que tenha um puro sotaque britanico. Outro dia me perdi na cidade e gastei um tempo procurando algum londrino para me dizer onde deveria ir. Encontrei. Ele, branco de sorriso amarelo, me sugeriu que perguntasse a alguem que nao fosse de Londres, porque eles costumam conhecer a cidade melhor. Entao ta’.

Esta semana minha prima me levou a um restaurante indiano maravilhoso. Comi o melhor prato da minha vida, um camarao ao curry que nao vou descrever porque e’ indescritivel.

E, por falar em India, Asia, e tal, meu curriculo esta em processo de analise na International House Dubai, na International House Hanoi, na Shane Taiwan, e hoje enviei meu curriculo a mais uma rede na Corea do Sul. Conseguir emprego dentro da rede International House e’ mais facil para mim, porque tenho apoio deles, porque estudei com eles. Mas tem sido mesmo um horror ser negada em alguns paises porque o meu diploma e’ de uma universidade brasileira. Quando leem Universidade Federal de Minas Gerais, entendem a palavra Federal, sabem que e’ uma universidade publica, e isto nao pode ser bom em pais nenhum do mundo. Ou quase nenhum. Entao agora estou apenas colocando UFMG, e adiciono que e’ uma das universidades de maior prestigio do pais. Verdade ou nao, tambem nao tem ajudado muito.

Mas nao estou desesperada. Hoje foi meu quinto dia procurando emprego a ja tive varias respostas. O processo para Taiwan esta mais adiantado em relacao aos outros, o que nao sei se e’ bom ou ruim. Mas ja vou avisando que, infelizmente, nao terei como levar encomendas de muambas para o Brasil, porque o limite de peso da mala e’ de 20 quilos. Um voo domestico no Brasil da direito a levar mais que isso. Ja vi que vou sofrer demais diante daqueles eletronicos todos la, quase de graca. Ai ai.

E’ tanta coisa que tenho para falar, mas nunca da tempo. O email logo logo fica enorme, e somente depois e’ que me lembro de outras coisas que eu queria dizer.
No geral, e’ o seguinte: estou muito feliz, embora um pouco ansiosa. Tenho experimentado a companhia do meu Criador de forma inexplicavel, tenho comido bem, muito bem, tenho dormido bastante, e tenho aproveitado bastante a cidade, assim a esmo, sem ser obrigada a seguir roteiro de turista. Tem dias que descubro cada perola, coisa que jamais os gruias turisticos me apontariam. Nao tenho preconceito, apenas estou querendo ver o que consigo descobrir.

Este vai ser um bom ano. Assim espero.

Tenho saudade do Brasil. Ate’ breve.

Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

ESCRITO NO DOMINGO, 27/01/2008

Hoje estou menos inspirada, com fome e com mau humor por causa da fome. Mas quis escrever antes de comer. Entao ai estah, sobre meu curso...

Caminho agora para o final do curso. Estou ainda meio sem entender como eles conseguem condensar tanta coisa em tao pouco tempo, e ao mesmo tempo colher tantos resultados. Estou boba com o quanto aprendi nessas semanas, e com o quanto passei a refletir mais sobre a minha pratica. Nas ultimas semanas demos aulas para Japoneses, Coreanos, Franceses, Italianos, Espanhois e Peuanos, Turcos, Arabes, Alemaes e Arzerbajanos, e quem mais aparecesse na sala de aula. Nao tinha nenhum Brasileiro, porque a massa auriverde se aglomera em outras escolas que nao sejam a absurdamente mais cara International House. Mas tem valido cada centavo. Eles realmente fazem jus a fama de melhores preparadores do CELTA (Certificate of English Language Teaching to Adults) autorizados pela Universidade de Cambrigde em Londres. Meus Reais ficaram felizes e satisfeitos por terem-se transformado em matricula e curso. :o)

Meus colegas sao muito interessantes, cada qual do seu jeito. Nos somos dez professores em treinamento. Sete sao ingleses, sendo que uma mora na India e leciona Ingles em um mosteiro budista. Dos tres nao ingleses, tem uma menina que eh coreana, mas cresceu na Alemanha e foi alfabetizada e educada em Ingles, num colegio americano. Tem uns 23 anos e fez mestrado em Londres, em Linguistica Aplicada. A outra nao inglesa eh uma suica que cresceu na Italia e fez faculdade na Inglaterra. Um doce de menina. E tem eu, uma Brasileira que cresceu no Brasil, foi educada no Brasil em Portugues do Brasil.
Mas, o que poderia ser motivo para me deixar pra baixo, para fazer com que me sentisse menor, acaba tendo suas vantagens. Eu e a italiana/suica aprendemos Ingles como nossa segunda Lingua, e por isso temos mais nocao das dificuldades envolvidas no processo de aprendizagem, e por isto fica mais facil prepararmos as aulas e explicar aos alunos aquilo que um dia ja nos causou problemas, quando comecamos a aprender.
Ou seja, eu SEMPRE terei a desvantagem de nao ser falante nativa, mas sempre terei a vantagem de ter passado pelo mesmo processo que meus alunos. O que eu tenho a fazer eh me conformar com a desvantagem e aproveitar a vantagem.

O curso tem me tomado todo o tempo e mais algum. Mas decidi mesmo que iria me dedicar bastante durante estas semanas, para aproveitar Londres depois que o curso terminar. Nao me arrependo da decisao.

Meus professores/treinadores sao espetaculares. Um se chama Duncan, e' engracadissimo sem fazer forca para ser, tem uma expressao corporal de fazer inveja na maioria dos professores de Linguas, tem uma letra linda e faz com que nos sintamos seguros. Tem uma filhinha nenem e nos finais de semana fica de pai coruja e sai para passear com a familia. Um gentleman.
Jonathan eh otimo tambem. Presenca calma, fala baixo e tem a voz linda. O sorriso dele eh a coisa mais acalentadora e ao mesmo tempo estonteante que ja vi. Se fica sem graca, fica vermelho na hora, o que eh divertidissimo. Nao sei se eh casado ou se eh solteiro. So sei que nos finais de semana pratica remo, e sei tambem que fala Portugues fluente, porque morou no Brasil um ano e em Portugal dez anos. Nunca conversamos em Portugues, porque na escola eh proibido. Eu, curiosissima, ainda vou pega-lo na reta, na saida da escola, pra conversarmos em Portugues, isto eh, se ele conseguir entender meu sotaque mineiro que engole as palavras no meio.

Amanha vou levar copias de um CD de musica Brasileira que gravei para eles. Elis, Maria Rita, Marisa Monte, Tom Jobim, Chico, Caetano, Milton Nascimento, Jorge Ben, e tals.
Espero que eles gostem, ou que pelo menos escutem.

Hoje nao falei da cidade. Mas ela continua muito linda, obrigada.

E, ao contrario do me disseram, aqui NAO e' o tumulo mundial da culinaria. Tenho comido muito bem, para minha felicidade.

Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

O curso, esse tal que tomou conta geral do meu tempo

Eu sei, eu sei. No ultimo post eu disse que escreveria contando sobre o curso. Mas o cujo dito tem tomado tanto meu tempo, mas tanto (aulas e tarefas de casa), que ainda nao tive como me sentar para escrever. Para falar verdade, tempo para comer e dormir tem sido artigo de luxo, coisa rara. A boa parte e' que estou me saindo bem, e, o que e' melhor e mais importante, estou aprendendo muito do que nao aprendi em tantos anos de pratica. Esses ingleses sao bons mesmo. Uau.

Quarta-feira, Janeiro 16, 2008

London e eu

Entao e' assim. A maioria das coisas que lemos nos livros sobre Londres sao verdade. Em parte porque sao verdadeiras mesmo, mas em parte porque os ingleses fazem questao de que seja assim, e de uma forma as vezes pouco natural. Novos onibus, novas cabines telefonicas, novos taxis, tudo sempre imitando o estilo antigo, tudo determinado por lei. Mas isso acaba sendo bem positivo, porque a cidade continua linda e harmonica, sem aquela coisa belorizontesca de ter uma Rainha da Sucata (nome dado a um predio em Belo Horizonte) fincada na Praca da Liberdade, esquisitissima embora premiada, brigando contra (e perdendo feio para) a arquitetura mais antiga que ali se encontra. Londres e' harmonica mesmo sendo diversa, e nao e' rara a impressao de que se esta' sempre na mesma rua. Ao mesmo tempo, tem-se a estranha sensacao de que aquela ali e' na verdade alguma outra rua, apenas porque agora voce esta' vindo no sentido oposto. Dizer que Londres e' maravilhosa e' chover no molhado. Entao passo agora a falar sobre as minhas aventuras e desventuras na terra de Britannia e John Bull.

SAINDO DE MILANO
Isabelle Nassar e sua roomate Mirelle me levaram ao aeroporto de Linate. Foram dias maravilhosos, muita risada, muitos passeios, muita comida, e o grande alivio: eu ainda consegui entrar na minha calca jeans mais justa, para estrear meu novissimo e arrasante par de botas que foi meu unico souvenir de Milano. As meninas que moram com Isabelle (Amanda e Mirelle) sao otimas, fui extremamente bem recebida, me senti em casa. Isabelle, a menina de 14 anos de quem me despedi no final de 2002, definitivamente se transformou numa moca maravilhosa, em todos os sentidos: irritantemente linda, charmosa e alta, olhos marcantes, estilosissima, inteligente e culta. Modelo em Milao, ja comprou um apartamento em Sao Paulo. Tem um otimo gosto para musica e cinema, eh ligada em Historia da Arte, esbanja simpatia por todos os poros e e' meiga, doce, embora forte e decidida. Sai' de Milao sentindo que nem maquiagem nem roupa bonita poderiam restaurar minha auto estima. (brincadeira, obvio. Belle e' um espetaculo e poder reve-la foi um presente de Deus para mim. Adorei!).

O AEROPORTO EM LONDRES
Esta' confirmado. Eu tenho talento para entrar em enrascadas quando o assunto e' aviao/aeroporto. Mas tambem acabo sendo extremamente sortuda, porque tudo sempre se ajeita no final, sem grandes prejuizos. De perder o passaporte no gigantesco aeroporto de Miami a ter traveler's cheques roubados (dentro da minha carteira!!! Ate' hoje fico imaginando o que aconteceu) tambem em Miami, e tambem ter uma camera fotografica digital, um mp3 player, dinheiro e um documento roubados por funcionarios larapios da companhia aerea no Brasil... Desta vez tive as malas extraviadas pela Alitalia ao chegar em Londres. Mas ja as recuperei. Em meio a tudo isso eu fico imaginando se algum dia eu vou conseguir ter uma viagem normal.
Leo me esperou em Heathrow por duas horas, mas no final eu cheguei bem e dei nele um abraco com anos de atraso.

LEO
Um amigo muito querido que conheci em um retiro das igrejas batistas de Itauna e Mateus Leme. Estudou Teologia na mesma faculdade que eu e tambem vivia na 'ponte aerea' Bh - Mt Leme - Itauna, ate se casar com uma inglesa. Mora numa cidadezinha ao Norte de Londres. Me buscou no aeroporto e me trouxe a casa da minha prima, Fernanda.

FERNANDA
Faz parte de meus quase 80 primos de primeiro grau. Nao, isto nao e' figura de linguagem. O numero e' bem este. E' pouquissimo mais velha que eu e e' filha do tio Zezinho, falecido irmao de meu pai. Ela mora em Londres ha 7 anos e ano passado comprou seu apartamento proprio, pertinho do Big Ben. Me recebeu com um almoco muito gostoso, me levou para passear, me levou ate' a escola no primeiro dia, e tem sido uma companhia perfeita para as noites frias e longas de inverno em Londres. Eu nao poderia estar mais feliz.

O LONDRINO
O humor deles costuma variar com o tempo, assim como o meu varia de acordo com a fase do mes, se voce me entende. Entao, meu relacionamento com os londrinos esta' sujeito a muitas variaveis. Ontem, sabado, o dia amanheceu ensolarado. As pessoas sorriam na rua, conversavam, passeavam com seus cachorros, as criancas corriam nas ruas e pracas. Londres estava iluminada. E foi ai' que eu nao reconheci as ruas mesmo. Tudo ainda muito mais lindo, mas lindo de doer a vista. Fernanda passeou comigo, fomos a St Paul's Cathedral, depois descemos pro rio Tamisa, atravessamos a Ponte do Milenio, tiramos fotos (eeeh!!!) e caminhamos pela orla do rio, na hora em que ele estava bem cheio. Os pubs estavam lotados e as pessoas caminhavam felizes. Dois brasileiros nos viram falar Portugues e foram caminhando conosco. Atravessamos a Westminster Bridge e eu tipo me senti muito fazendo parte da minha musica preferida dos Kinks: Waterloo Sunset. Tudo bem que a Waterloo Bridge fica um pouquinho pra cima (ou para baixo) e eu tinha passado nela na vinda, mas a sensacao e' a mesma, tenho certeza. Quando o Big Ben anunciou quatro e meia, minha prima teve que se despedir, mas os dois brasileiros se ofereceram para me levar a Chinatown. A moca, Isabel, mora em Londres ha 4 anos. O moco chegou ha 2 meses, mas ja conhece a cidade bem. Fomos ao Soho, Chinatown, depois a uma livraria para que eu pudesse comprar um livro sobre a Gra-Bretanha, sua geografia e historia e costumes e politica e tal... E depois nos sentamos em um cafe. Fechamos o dia na Virgin Records, com seus varios andares e tanto cd que me deixou tonta. Ao contrario do que pensei, muita coisa barata. Mas, infelizmente, a realidade e' que nao vim fazer compras.

Ainda nao contei sobre o curso, mas o email ja esta muito longo e vou deixar para contar na proxima semana.

Quinta-feira, Janeiro 03, 2008

Milano e eu

Se cheguei bem? Bem... No voo de Guarulhos para Malpensa, uma senhora teve um ataque cardíaco e tivemos que voltar meia hora até Natal, RN, para que ela fosse atendida. O custo disso foram 4 horas de atraso mais seis toneladas e meia de combustível. Ainda bem que, na saída do avião, em Milão, a comadre estava lá. Ela tinha seguido viagem conosco e tinha agora a carinha boa só cê vendo. Com direito a bochechas rosadas e tudo mais.
Em Milão, Isabelle não passava bons pedaços: quatro horas a me esperar, eu, uma amiga que ela não via há cinco anos. Deve ter tido vontade de pegar o primeiro taxi de volta pra casa e me mandar sabe pra onde. Mas ela é legal demais pra isso. Me recebeu com a melhor carinha do mundo, passamos em casa para deixar as malas e saímos, felizes da vida, colocando em dia a prosa de mil anos, comendo pizza italiana em um charmoso café, visitando as lojas do shopping da Duomo, e a própria catedral, Duomo de Milano, com sua opulência que dispensa comentário.
Hoje, no meu segundo dia, recebemos a visita da neve, que no início é mesmo linda de se ver. Amanhã é que o chão começa a ficar preto e sujo e feio e chato e ruim. So far, so good. Tão bom quanto o canoli siciliano que comi numa doceria, recheado com um creme branco mais gostoso que doce de leite. Minha sorte: depois de amanhã sigo para Londres, túmulo mundial da culinária.

Sexta-feira, Novembro 30, 2007

2008 e eu

Depois de meses e meses sem visitar meu blog, aqui estou. Se voltei, ainda não sei. Hoje deu vontade de escrever e tá de bom tamanho.
Passei os últimos meses inventando uma viagem para a Austrália, apenas para descobrir mais tarde que era inviável.
Vou pra Inglaterra então.
Meu vôo sai dia primeiro do próximo ano e passa por Milão. Lá ficarei por quatro dias a visitar minha amiga Isabelle, que não vejo há 5 anos.
De Londres vou pra não sei onde na Ásia, trabalhar como professora de Inglês para estrangeiros. Devo ficar um ano... sentindo saudade do Brasil, esta grande pátria desimportante que eu amo tanto.

Domingo, Maio 20, 2007

Sobre a tal ida à Vila Estrela, ainda não encontrei uma forma de contar. Mas vou contar assim mesmo, ao menos em parte.
Minha visita teve a ver com uma moça que vigiou meu carro enquanto eu almoçava em um restaurante aqui perto de casa. Viciada em crack há dois anos, ela não fuma há quase três semanas. Ela estava sendo ameaçada de morte pelos traficantes, porque estava devendo sessenta reais. Por isso, vinha passando as noites na rua, perto do tal restaurante ali na esquina, ali em baixo, sem poder subir. Não pôde participar da festa do dia das mães promovida pela escolinha do morro. Ela tem três filhos. Naquele dia, antes que o sol apontasse (para não ser vista), tinha ido a sua casa para pegar uma muda de roupas. Aproveitou para dar um beijo nos filhos e coar um café pra mãe.
Durante as últimas três semanas, sem pouso, ela começou a ter contato com a graça libertadora de Deus de uma forma que, para qualquer um de nós, pareceria que Deus está agindo no conta-gotas. Aparentemente, as coisas não haviam mudado tanto. Mas para a moça eu acho que era o bastante (Javé sabe o que faz), porque ela demonstrava uma alegria inenarrável por estar descobrindo O Totalmente Outro. Para ela, era como se uma forte chuva de graça estivesse descendo do céu sem nuvens, e ela dançando e comendo as gotas da chuva. Eu vi.
Uma moça jurada de morte, viciada há dois anos, finalmente passou três semanas sem fumar crack. Ela atribui o fato à libertação que vem de Deus. Para muitas pessoas lá no morro, é apenas fogo de palha: "Ela vai voltar, essa aí não tem jeito". Para mim, o maior milagre da Terra; o momento em que Deus se revela a um pequenino e o toma nos braços. Isso é o bastante para encher meu mundo todo de alegria.

Segunda-feira, Maio 14, 2007

Hoje tive uma experiência bem interessante nas ruas da Vila Estrela, o morro que fica algumas quadras pra cima da minha casa.
Mas preciso de fôlego pra contar, senão o que foi muito especial pode se transformar em algo insosso.
Volto quando tiver um tempinho que seja.

Domingo, Maio 06, 2007

Brega assumida!

Que será de mim? Eu agora ando participando até de concursos promovidos por revistas de moda. Folheando a revista Estilo (!!!!), li sobre um tal concurso que dará 5 kits de maquiagem Givenchy, dentro de um porta-jóias da mesma marca, para as 5 respostas mais criativas à pergunta: "Qual é a sua jóia mais valiosa?" Tinha que responder e explicar.
Minhas jóias mais valiosas, obviamente, são minha família, os amigos que considero família, Deus e a própria vida, não necessariamente nesta ordem. Mas escrever sobre isso não me renderia kit de maquiagem algum. Então escrevi outra resposta, que, sei lá por que motivo, deu vontade de postar aqui.
Agora sou a blogueira baranga participante de concursos de revista da Abril. hahahah
Vexamosa...


Um dia pensei que a jóia mais valiosa da minha vida fosse um tal moço que conheci. Mas ele passou por mim e a vida continuou, valiosa. Então minha jóia seria minha colação de cds? Poderia até ser, não fosse a situação financeira que me fez colocá-los em umas caixas de papelão e vendê-los todos numa banquinha. E a vida continuou, valiosa. Minhas fitas cassete eu não vendi, talvez porque não valessem tanto. E não valiam mesmo. Estão agora empilhadas em algum armário da casa de meus pais, e já não tenho como escutá-las.
Quase todas as coisas se guardam em armários, sem alterar a vida. Mas no armário está também o espelho que me fez descobrir minha jóia mais preciosa: meu rosto.
Para a maioria das pessoas, meu rosto é um rosto comum, desses muitos que se encontram na fila de qualquer padaria em uma terça-feira pela manhã. Meu rosto não chama a atenção de quem passa. Mas com ele experimento a vida, troco de humor, aprendo um gosto novo, percebo uma nova marca de expressão. No meu rosto experimento cores e cheiros e me enfeito de cores e tons. Entro na alma de alguém, escuto segredos, sorrio pro moço que passa por mim, vejo as moças bonitas pregadas nos outdoors. Houve um tempo em que eu daria tudo para ter o rosto delas, os olhos azuis e as bochechas rosadas num sorriso feliz, para sempre congelado. Hoje não troco mais. Meu rosto vai além da beleza que carrega ou deixa de carregar. De tão comum, é diferente, como eu e o restante da humanidade. De tão diferente, é minha jóia mais valiosa.

Quinta-feira, Maio 03, 2007

Preciso de um novo par da sapatos.
Não.
Preciso de dois novos pares de sapatos.
Um preto e outro vermelho.
Um mais chiquezinho, pra ir à festa de 92 anos de minha tia (que certamente estará de salto!), e o vermelho pra usar toda hora mesmo.
Mas será que não consigo encontrar nada que me agrade, assim, por menos de 189 reais?
Senão vou de havaianas mesmo.
Vestido de lã cinza da Patachou e sandálias havaianas legítimas. Trés chic.

Sexta-feira, Abril 27, 2007

ESSAS COISAS IMPORTANTES DA VIDA

Dia desses recebi por e-mail uma crônica natalina assinada por Maitê Proença. Juntamente com a crônica, vieram respostas e comentários de entre um grupo de pessoas que recebeu o mesmo e-mail. Em um desses comentários, um moço disse que Deus com face feminina não é legal, em resposta ao que a autora disse: “O Deus que hoje reconheço tem a face feminina, é doce, tolerante, compreensivo e infinitamente bom”. Como gosto de dar pitaco sobre essas coisas, resolvi escrever. Este aqui é um texto despretensioso. Nada de ficar debatendo, rebatendo, atacando. Isso não. Apenas quero compartilhar o que tenho formulado nesses dias, eu e meu co-autor, o travesseiro.
Deus com face feminina soa mesmo como um banquete para as feministas mais fervorosas. Mas a coisa é séria e requer cuidado. É terreno delicado. O certo é que a discussão não foi inaugurada por Maitê. Não mesmo. Muito antes dela, estudiosos respeitadíssimos entraram por esses meandros. E agora também eu - que não disponho de muita coisa além de minha Bíblia e minha fé, algumas leituras prévias e minhas orações, e uma sensação profunda de que sei muito pouco a respeito de Deus.
Em tempos pós-modernos, contra todos os argumentos contrários, creio no Deus da Bíblia. Creio que é um e que são três. E que este Um é muito maior do que tudo que minha pobre imaginação poderia dizer sobre Ele. Não imagino que Ele seja produto de minha imaginação. Antes, Ele me criou. E, mais, criou-me a sua imagem e semelhança. E criou minha família a imagem e semelhança de Sua família, a quem chamamos de Trindade. É a família perfeita. É onde a individualidade é respeitada, mas de forma alguma essa individualidade é mais importante que a unidade.
Pensando sobre a perfeição da Trindade, matutei um tempo sobre o argumento Católico Romano de que Maria seria a mãe da Igreja, porque ninguém nasce sem mãe. Realmente uma família perfeita possui pai e mãe e filhos. Nós somos os filhos, irmãos mais novos de Jesus. O Espírito é quem nos une ao Pai, a partir do sacrifício de um como nós, o Filho. E onde estaria a mãe? E foi então que me maravilhei ao perceber que não falta nada não, que todas as características de um pai perfeito e de uma mãe perfeita são encontradas em Deus Pai. Todas.
E então entendi o que a Maitê quis dizer. Imagino que ela não estivesse dizendo que Deus seja uma mulher. Porque não é, nem nunca foi, nem vai ser. Quando a autora utiliza os adjetivos “doce, tolerante, compreensivo”, ela automaticamente identifica Deus com uma mãe. Não que um pai não seja nada disso. Mas são figuras de linguagem. E, sob esse ponto de vista, concordo com o que ela disse. O Deus que criou tanto o Homem quanto a Mulher a sua imagem e semelhança não poderia ter apenas uma face masculina. Ele sabia o que estava fazendo e amou aos dois igualmente, homem e mulher, e soube entender os dois igualmente, e soube disciplinar os dois, e tem-se relacionado com os dois, ano após ano, milênio após milênio, durante um período que aprendemos a chamar de tempo, que fica entre duas eternidades.
Um perfeito criador, um perfeito pai, uma perfeita mãe. Um filho perfeito. Quanto a nós, homens e mulheres, somos um projeto eterno. Fomos imaginados antes da fundação do mundo e viveremos eternamente, graças ao Cordeiro que foi morto, mas venceu.
Sim, Maitê Proença, o Clarão tem nome e é de uma bondade infinita. Nós sabemos.

Domingo, Janeiro 28, 2007

Verve Remixed na vitrola até o fim da semana.

Pra me deixar feliz e contrabalançar o fato de que minhas férias chegaram ao fim.

Hoje.

Segunda-feira, Dezembro 18, 2006

Happy Birthday, Holy One!
I love you more than I ever thought I could.

Obrigada, Raiz de Davi. Esperamos que você não se esqueça de que nós somos o motivo de sua viagem.

Parabéns. Feliz aniversário.

Eu amo você...

Sua irmã mais nova,

Ana Cristina

Terça-feira, Novembro 28, 2006

O ALFA E O ÔMEGA

Porque Dele, por Ele, para Ele são todas as coisas. A Ele a Glória, eternamente, amém!

MASSIVE ATTACK ataca...

Minha banda preferida de música eletrônica (ou sei lá o que é aquilo, tão diferente de tudo que já surgiu por aí), Massive Attack arrasa, mas arrasa muito. Eu os conheci há 7 anos. Mas somente na semana passada é que prestei atenção num trecho da letra de "Safe from harm", do álbum
Mezzanine, que diz:

"I was looking back to see if you were looking back at me to see me looking back at you".

Amei!!

Como tenho leitores aqui que não lêem Inglês (e ninguém tem obrigação de ler em outra língua), aqui vai o serviço de traduções, bem no estilo BH FM:

"Eu eu estava olhando para trás para ver se você estava olhando para trás para me ver olhando para trás pra te ver".

Obviamente, a tradução ficou um lixo e tirou 98% do charme e da sonoridade da frase original. Paciência...